Imagine uma perua
Parada, sempre, na rua
No Século Dezesseis!
Querendo roupa vermelha,
Na mente, uma estrela,
Privilegio só de Reis!
Nas terras de Manuel,
Regadas o coquetel,
Almejando sua vez.
Aí descobre uma tinta,
Numa semana, na quinta,
De preço muito barato.
Como não ela querer,
Pra poder aparecer
Com seu novo aparato?
Foi o nosso Pau-brasil
Que mudou destino vil,
Dando a perua estrato!
Nos primeiros trinta anos
Do nosso descobrimento,
O Brasil do Pau-brasil,
A árvore do momento.
Na Europa fez a moda;
Nosso desenvolvimento!
Foi ela, justamente,
O pigmento vermelho.
Ela exclusivamente
Que se fez nosso espelho!
Pau-brasil, a sua cor
Por muito tempo reinou;
Madeira de violinos!
Também peças d’estruturas,
Nos altares as juras
Confessaram seus destinos.
Aquela imaginação,
Não era inda Nação
Nossos galhos pequeninhos!
Faz tempo q’eu não vejo,
Onde está o Pau-brasil?
Parece que não pariu
Outra planta do desejo!
Nos embalos do cortejo
Da sonhadora perua,
Que imaginou ser sua
As regalias dos Reis.
Que no século Dezesseis
As exibiram na rua!
Pau-brasil, Brasil do pau:
Riqueza do meu Brasil!
Foi carregado na Nau;
A Nau que nos descobriu!
Gilberto Costa
domingo, 14 de março de 2010
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