Corpos das manhãs
Corpos de maçãs
Corpos de todos os turnos
De reluzência bela
Corpos que são delas
Quase somente as mulheres
Corpos à espera dos talheres
Corpos da fome dos quereres
Corpos dos prazeres
Corpos de estética máxima
Corpos de graça quase divinos
Corpos com manchas escondidas
Na alma
Corpos de carpinteiros
Corpos de cortes certeiros
Corpos cortados, quase ao meio
Corpos de corações cheios
De devaneios
Corpos sem meios-termos
Corpos às vezes, quase enfermos
Corpos de amores alheios
Corpos que apenas olham
Corpos passarem
Corpos que deambulam, faceiros
Corpos da moda
Corpos em cadeiras de rodas
Corpos que não incomodam
Olhares faceiros
Corpos picados de exames
Corpos riscados de arames
Corpos do Corcunda de Notre-Dame
Corpos sem estética
Corpos que conseguem amar
Vestidos de ética
Corpos de todos os corpos
De imaginações diversas
Corpos em vez de menos, mais
Corpos que nas conversas, versam
Corpos que de corpo e alma
Enxergam um único corpo
O corpo partido
O corpo de sangue oferecido
O corpo de pão dado
O corpo pregado na cruz
O corpo do Cristo Jesus
O corpo do invento de Deus
Amém ou além
Gilberto Costa
domingo, 14 de março de 2010
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