É quase noite
O sol ta passando
O serviço pra lua
Há um tênue escuro na rua
É sua a luz nua
Que a tarde irradia
É noite
É hora de começar a poesia
Sua construção
Vai até de madrugada
Quero que me traga
Um gole de cachaça
Pode ser na taça
Do seu coração
É noite
Não quero me desfazer
Da minha graça
Minha inspiração
Está quase gelada
É das estrelas a tarefa
De servir o poeta
Ainda é noite
O sol ameaça meu orvalho
Pode sem vão
O trabalho do refrão
Preciso logo emendar
As estrofes do perdão
Antes de o galo bater
Suas asas
É quase amanhecer
Meus eus submissos
Entram em rebuliço
Prego na cruz
O Corpo de Cristo
E como estava escrito
Nego minha alma
Nesta madrugada calma
Gilberto Costa
domingo, 14 de março de 2010
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