domingo, 14 de março de 2010

MANHÃ DE DOMINGO

Eu espio pela janela
E rio com imagens d’uma
Paisagem no cio. Um sol
Sonolento, espreguiça-se
Em lençóis de nuvens aéreas!
Os orvalhos espalhados
Se tecem em fios persas
E se fazem estrelas amarelas!
Ajusto minha miopia
E espio para outro lado
Da cidade e vejo um fio
De fumaça que passa,
Que se junta a outros fios
Que passam, acompanhados
De arrepios e desejos matinais!
Fios que passeiam pelos telhados,
Fios em naves de versos
Que sobrevoam os diversos cantos
Do dia, com seu cheiro de poesia!
Saída do encanto,
A caneta se levanta
E acorda as palavras
Para o desjejum poético.
Pingando pingos nos “IS”,
Canta a mim os bem-te-vis!
É manhã de domingo.

Gilberto Costa

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