“Homens” e “mulheres” em banheiros;
“Centro” no letreiro do ônibus;
“Saudade” do amor distante
- As palavras escritas –
Não significam nada
Para os filhos da escuridão.
Para os filhos da escuridão
A caneta é uma enxada,
A escola o caminho da roça,
As cartas pedaços de papel,
Com imagens desconhecidas
Que não podem ser lidas.
Para os filhos da escuridão
A vida está na Pré-História
E o êxodo das cavernas
Caminha lado a lado
No claro da luz do dia!
Mas quase ninguém percebe
Os filhos da escuridão.
Eles são anjos intimidados;
São anjos humilhados;
São anjos encolhidos,
Anjos que não dão na vista,
Anjos ausentes da lista
Dos supremos letrados!
Quisera com minhas poesias
Oferecer a penumbra
Das primeiras palavras
Aos filhos da escuridão.
E quem sabe com eles compor
Uma canção de cidadania!
Gilberto Costa
domingo, 14 de março de 2010
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