domingo, 14 de março de 2010

OITO DE MARÇO

Pode parecer ainda frágil,
Como se alguém tivesse razão,
Em razão por tê-lo dito.
Pode parecer vaidosa
- as sobrancelhas em podas –
Longas madeixas sedosas
Ou curtas, com tranças desejadas!
Um batom como um Da Vinci,
Em lábios de Mona Lisa!
Esmalte em cores vivas;
Unhas mais colorida!
Saias com pernas de fora,
Baby look, umbigo à mostra,
Andar insinuante,
Formas arredondadas!
Seios que alimentam vidas
E estatuetas também exibidas!
É assim a mulher, ousada!
Sendo mãe, sendo esposa,
Ela ousa no seu modo de ser
- no universo que é só seu –
E não mais guardada no Gineceu!
Não lhe basta mais o zelo
Masculino, o universo
De Penélope, a flor-verso
Padecendo no paraíso!
Ela quer o destino de Ulisses
E uma Nau sem varizes!
Não lhe serve mais o hiato
Que vai da pia ao tanque
E da cama à tábua de passar.
Ela quer fazer acontecer
Porque o presente lhe tange
Para um futuro não muito longe.
Se o ano inteiro já da mulher,
O Brasil será da mulher!

Gilberto Costa

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