Eu olho para as estrelas
À procura de brilho
E na realidade me ilho
Entre quatro paredes.
Deitado na minha rede,
Em meio aos meus versos castiços,
Penso nos votos mestiços
No Self-Service Eleitoral
D’Algumas lideranças, no curral
Do Seridó! Voto Minhoca
Para o candidato da terra!
Voto que não se encerra
Na mesma coligação!
Voto da tradição Uma
Para o senado. Voto de lacuna;
Voto da coluna do meio
- Vacância de pouco tempo -
Talvez preenchida em setembro!
Voto cheio de ferrugem;
Votos que mugem; votos
Com penugens de aves misturadas
- Tucanos, Bacuraus, Araras –
Votos BATUCANARAS!
Voto de quem não mais jura...
Voto Tanajura, no Palanque
Coração de Mãe! Voto VILMALBA;
Voto AGRITATÁ; voto GALBERÊ!
Voto melado de lama;
Voto sem Programa de Governo;
Voto que se espera que não chegue
Na urna! Voto da turma
Sem pensar o povo. Voto coxo!
E o eleitor meio que bobo,
Perambula pela rua,
Vestindo a esperança
Que não é sua... Que não é sua...
Gilberto Costa
sexta-feira, 14 de maio de 2010
TRINDADE MATERNA
(TEREZINHA/FÁTIMA/FRANCISCA)
Como pode um ser ser assim:
Composto de mimo; ternura!
De força... Valentia... Bravura
Para os outros; também pra mim!
Como é possível um ser
Cuidar de todos os seres
Sem descuidar de si ser?
De se incluir nos afazeres
Cotidianos, sem se perder
No caminho, ao longo dos anos?
De tecer passos... Tecer carinho!
De embalar no colo a cria
E se fazer canção e poesia!
Como é ser se multiplicar
Em muitas mulheres? Mães;
Educadoras... Militantes!
Governantes... Gestoras
De conflitos em casa
- Esposas de muitas vidas –
Quando às vezes disfarça;
Quando às vezes emotiva,
Descansa pra receber graça!
Ela é ser absoluto
À prova das provações,
Quando guarda no ventre
Os entes de todas as gerações!
Mãe em mim... Esposa, sim!
Sogra que sempre adota
Netos para todos os fins...
Mães que me serão eternas;
A minha Trindade Materna!
Gilberto Costa
Como pode um ser ser assim:
Composto de mimo; ternura!
De força... Valentia... Bravura
Para os outros; também pra mim!
Como é possível um ser
Cuidar de todos os seres
Sem descuidar de si ser?
De se incluir nos afazeres
Cotidianos, sem se perder
No caminho, ao longo dos anos?
De tecer passos... Tecer carinho!
De embalar no colo a cria
E se fazer canção e poesia!
Como é ser se multiplicar
Em muitas mulheres? Mães;
Educadoras... Militantes!
Governantes... Gestoras
De conflitos em casa
- Esposas de muitas vidas –
Quando às vezes disfarça;
Quando às vezes emotiva,
Descansa pra receber graça!
Ela é ser absoluto
À prova das provações,
Quando guarda no ventre
Os entes de todas as gerações!
Mãe em mim... Esposa, sim!
Sogra que sempre adota
Netos para todos os fins...
Mães que me serão eternas;
A minha Trindade Materna!
Gilberto Costa
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A DOR QUE DÓI
Certo dia um homem estivera aqui...
E de um lugar só dele, refletira...
Eu sinto uma dor que dói...
Uma dor que me faz invisível
Aos meus próprios olhos...
É uma dor de bem perto de mim
Que parece não ter começo nem fim.
Uma dor em toda extensão corpórea
Que tento localizá-la para medir
Seu tamanho! Uma dor sem controle
Que foge do coração quando é
Aprisionada. Que se esconde no cérebro,
Que invade minhas vísceras,
Que queima minha pele e me faz
Baixar a cabeça! Eu sinto uma dor
Que dói. Uma dor que corrói
E parece que não somente destrói,
Mas já quase tem acabado comigo.
Porque não há conforto para a dor que dói!
A dor que dói que nascera perto de mim...
Gilberto Costa
E de um lugar só dele, refletira...
Eu sinto uma dor que dói...
Uma dor que me faz invisível
Aos meus próprios olhos...
É uma dor de bem perto de mim
Que parece não ter começo nem fim.
Uma dor em toda extensão corpórea
Que tento localizá-la para medir
Seu tamanho! Uma dor sem controle
Que foge do coração quando é
Aprisionada. Que se esconde no cérebro,
Que invade minhas vísceras,
Que queima minha pele e me faz
Baixar a cabeça! Eu sinto uma dor
Que dói. Uma dor que corrói
E parece que não somente destrói,
Mas já quase tem acabado comigo.
Porque não há conforto para a dor que dói!
A dor que dói que nascera perto de mim...
Gilberto Costa
O LBARO ESTRELADO DE ARMANDO
A bola nos ps de Pel!
A bola redonda de Maradona!
A bola que Paula embala!
A bola com cheiro de Hortnsia!
A bola magistral de Nadal!
A bola que Leila espelha!
A bola que rola na grama...
A bola que a torcida chama
Zico... Domingo da Guia!
A bola que passeia na quadra...
A bola de asas de Falco!
A bola de todos os boleiros...
A bola nos campos de vrzea!
A bola de todas as metforas...
A bola com sede de rede!
A bola do Set; a bola do Ace...
A bola parada; a bola rolando...
A bola de todos os nomes
Perde seu amado padrinho!
Na segunda-feira Santa
L fora descansa Armando
Nogueira que a bola encanta!
Gilberto Costa
A bola redonda de Maradona!
A bola que Paula embala!
A bola com cheiro de Hortnsia!
A bola magistral de Nadal!
A bola que Leila espelha!
A bola que rola na grama...
A bola que a torcida chama
Zico... Domingo da Guia!
A bola que passeia na quadra...
A bola de asas de Falco!
A bola de todos os boleiros...
A bola nos campos de vrzea!
A bola de todas as metforas...
A bola com sede de rede!
A bola do Set; a bola do Ace...
A bola parada; a bola rolando...
A bola de todos os nomes
Perde seu amado padrinho!
Na segunda-feira Santa
L fora descansa Armando
Nogueira que a bola encanta!
Gilberto Costa
RAMOS DA REFLEXÃO
Não sei se os pássaros seriam
Para mim o canto. Não sei
Se o canto seria para mim
O encanto. Não sei se o encanto
Seria para mim o manto.
Não sei se o manto seria
Para mim a alma. Não sei
Se a alma seria para mim a calma.
Não sei se a calma traria
Para mim a calma, traria
Para mim a alma, traria
Para mim o manto, traria
Para mim o encanto, traria
Para mim o canto! Não sei
Se os pássaros viriam também
A mim. E não sei se seriam
De novamente vida! Não sei...
Gilberto Costa
Para mim o canto. Não sei
Se o canto seria para mim
O encanto. Não sei se o encanto
Seria para mim o manto.
Não sei se o manto seria
Para mim a alma. Não sei
Se a alma seria para mim a calma.
Não sei se a calma traria
Para mim a calma, traria
Para mim a alma, traria
Para mim o manto, traria
Para mim o encanto, traria
Para mim o canto! Não sei
Se os pássaros viriam também
A mim. E não sei se seriam
De novamente vida! Não sei...
Gilberto Costa
quarta-feira, 24 de março de 2010
DUAS IGUAIS
Duas iguais... Seriam tão diferentes?
Na vida da gente, duas iguais!
No que sejam plurais, duas iguais!
Nas vozes nasais, duas iguais!
Nos gestos vitais, duas iguais!
Na construção dos casais,
Duas iguais! Lembrando os ancestrais
Duas iguais! Buscando os astrais,
Duas iguais! De animais e vegetais,
Duas iguais! Sem faltarem os minerais,
Duas iguais! Dos filhos dos pais,
Duas iguais! Nos olhos fatais,
Duas iguais! Em todos os canais,
Duas iguais! Na sinfonia de pardais,
Duas iguais! Duas iguais por duas mais!
Gilberto Costa
Na vida da gente, duas iguais!
No que sejam plurais, duas iguais!
Nas vozes nasais, duas iguais!
Nos gestos vitais, duas iguais!
Na construção dos casais,
Duas iguais! Lembrando os ancestrais
Duas iguais! Buscando os astrais,
Duas iguais! De animais e vegetais,
Duas iguais! Sem faltarem os minerais,
Duas iguais! Dos filhos dos pais,
Duas iguais! Nos olhos fatais,
Duas iguais! Em todos os canais,
Duas iguais! Na sinfonia de pardais,
Duas iguais! Duas iguais por duas mais!
Gilberto Costa
domingo, 14 de março de 2010
MANHÃ DE DOMINGO
Eu espio pela janela
E rio com imagens d’uma
Paisagem no cio. Um sol
Sonolento, espreguiça-se
Em lençóis de nuvens aéreas!
Os orvalhos espalhados
Se tecem em fios persas
E se fazem estrelas amarelas!
Ajusto minha miopia
E espio para outro lado
Da cidade e vejo um fio
De fumaça que passa,
Que se junta a outros fios
Que passam, acompanhados
De arrepios e desejos matinais!
Fios que passeiam pelos telhados,
Fios em naves de versos
Que sobrevoam os diversos cantos
Do dia, com seu cheiro de poesia!
Saída do encanto,
A caneta se levanta
E acorda as palavras
Para o desjejum poético.
Pingando pingos nos “IS”,
Canta a mim os bem-te-vis!
É manhã de domingo.
Gilberto Costa
E rio com imagens d’uma
Paisagem no cio. Um sol
Sonolento, espreguiça-se
Em lençóis de nuvens aéreas!
Os orvalhos espalhados
Se tecem em fios persas
E se fazem estrelas amarelas!
Ajusto minha miopia
E espio para outro lado
Da cidade e vejo um fio
De fumaça que passa,
Que se junta a outros fios
Que passam, acompanhados
De arrepios e desejos matinais!
Fios que passeiam pelos telhados,
Fios em naves de versos
Que sobrevoam os diversos cantos
Do dia, com seu cheiro de poesia!
Saída do encanto,
A caneta se levanta
E acorda as palavras
Para o desjejum poético.
Pingando pingos nos “IS”,
Canta a mim os bem-te-vis!
É manhã de domingo.
Gilberto Costa
OITO DE MARÇO
Pode parecer ainda frágil,
Como se alguém tivesse razão,
Em razão por tê-lo dito.
Pode parecer vaidosa
- as sobrancelhas em podas –
Longas madeixas sedosas
Ou curtas, com tranças desejadas!
Um batom como um Da Vinci,
Em lábios de Mona Lisa!
Esmalte em cores vivas;
Unhas mais colorida!
Saias com pernas de fora,
Baby look, umbigo à mostra,
Andar insinuante,
Formas arredondadas!
Seios que alimentam vidas
E estatuetas também exibidas!
É assim a mulher, ousada!
Sendo mãe, sendo esposa,
Ela ousa no seu modo de ser
- no universo que é só seu –
E não mais guardada no Gineceu!
Não lhe basta mais o zelo
Masculino, o universo
De Penélope, a flor-verso
Padecendo no paraíso!
Ela quer o destino de Ulisses
E uma Nau sem varizes!
Não lhe serve mais o hiato
Que vai da pia ao tanque
E da cama à tábua de passar.
Ela quer fazer acontecer
Porque o presente lhe tange
Para um futuro não muito longe.
Se o ano inteiro já da mulher,
O Brasil será da mulher!
Gilberto Costa
Como se alguém tivesse razão,
Em razão por tê-lo dito.
Pode parecer vaidosa
- as sobrancelhas em podas –
Longas madeixas sedosas
Ou curtas, com tranças desejadas!
Um batom como um Da Vinci,
Em lábios de Mona Lisa!
Esmalte em cores vivas;
Unhas mais colorida!
Saias com pernas de fora,
Baby look, umbigo à mostra,
Andar insinuante,
Formas arredondadas!
Seios que alimentam vidas
E estatuetas também exibidas!
É assim a mulher, ousada!
Sendo mãe, sendo esposa,
Ela ousa no seu modo de ser
- no universo que é só seu –
E não mais guardada no Gineceu!
Não lhe basta mais o zelo
Masculino, o universo
De Penélope, a flor-verso
Padecendo no paraíso!
Ela quer o destino de Ulisses
E uma Nau sem varizes!
Não lhe serve mais o hiato
Que vai da pia ao tanque
E da cama à tábua de passar.
Ela quer fazer acontecer
Porque o presente lhe tange
Para um futuro não muito longe.
Se o ano inteiro já da mulher,
O Brasil será da mulher!
Gilberto Costa
EMOÇÕES IMORTAIS
Eu me olho na inversão do olhar.
Longe da comumência externa,
Enxergo-me na profundidade interna
E consigo nessa visão me conceituar!
Eu trago à tona minha origem
- a verdade de todo meu princípio –
É um esforço de sacrifício
No saber de ser uma alma virgem.
Eu sou Filho da Luz, Filho da Luz!
Meus olhos não temem o escuro
Na minha volta ao futuro
Quando sonho e tenho emoções imortais!
E quando me procuro na busca da paz,
A luz que me descreve é a luz que me traduz!
Gilberto Costa
Longe da comumência externa,
Enxergo-me na profundidade interna
E consigo nessa visão me conceituar!
Eu trago à tona minha origem
- a verdade de todo meu princípio –
É um esforço de sacrifício
No saber de ser uma alma virgem.
Eu sou Filho da Luz, Filho da Luz!
Meus olhos não temem o escuro
Na minha volta ao futuro
Quando sonho e tenho emoções imortais!
E quando me procuro na busca da paz,
A luz que me descreve é a luz que me traduz!
Gilberto Costa
NOSSAS SÍLABAS
Vamos juntar nossas sílabas,
Não precisa que sejam tônicas.
Mas que ao menos sejam harmônicas
E produzam aquelas palavras,
Sem divisões silábicas.
Vamos juntar nossas sílabas,
Aquelas suaves e átonas.
Aquelas de canções cálidas,
Aquelas que pareçam válidas,
Guardadas nas almas grávidas!
Vamos musicar nossas sílabas,
Em DÓ, em RÉ, em MI, em FÁ!
Em SOL, em LÁ, em SI, e mais
- E que sejam elas desiguais –
No prumo das Notas Musicais!
Vamos cantar nossas sílabas,
Também em canções cíclicas.
Também nas citações bíblicas,
Cunhadas nas inscrições gráficas
De nossas narrativas...
Vamos multiplicar nossas sílabas
E que se façam muitos casais!
E que se abram muitos canais;
E que se criem diálogos de paz;
E que as vozes sejam plurais.
Vamos amar nossas sílabas!
Gilberto Costa
Não precisa que sejam tônicas.
Mas que ao menos sejam harmônicas
E produzam aquelas palavras,
Sem divisões silábicas.
Vamos juntar nossas sílabas,
Aquelas suaves e átonas.
Aquelas de canções cálidas,
Aquelas que pareçam válidas,
Guardadas nas almas grávidas!
Vamos musicar nossas sílabas,
Em DÓ, em RÉ, em MI, em FÁ!
Em SOL, em LÁ, em SI, e mais
- E que sejam elas desiguais –
No prumo das Notas Musicais!
Vamos cantar nossas sílabas,
Também em canções cíclicas.
Também nas citações bíblicas,
Cunhadas nas inscrições gráficas
De nossas narrativas...
Vamos multiplicar nossas sílabas
E que se façam muitos casais!
E que se abram muitos canais;
E que se criem diálogos de paz;
E que as vozes sejam plurais.
Vamos amar nossas sílabas!
Gilberto Costa
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
“Homens” e “mulheres” em banheiros;
“Centro” no letreiro do ônibus;
“Saudade” do amor distante
- As palavras escritas –
Não significam nada
Para os filhos da escuridão.
Para os filhos da escuridão
A caneta é uma enxada,
A escola o caminho da roça,
As cartas pedaços de papel,
Com imagens desconhecidas
Que não podem ser lidas.
Para os filhos da escuridão
A vida está na Pré-História
E o êxodo das cavernas
Caminha lado a lado
No claro da luz do dia!
Mas quase ninguém percebe
Os filhos da escuridão.
Eles são anjos intimidados;
São anjos humilhados;
São anjos encolhidos,
Anjos que não dão na vista,
Anjos ausentes da lista
Dos supremos letrados!
Quisera com minhas poesias
Oferecer a penumbra
Das primeiras palavras
Aos filhos da escuridão.
E quem sabe com eles compor
Uma canção de cidadania!
Gilberto Costa
“Centro” no letreiro do ônibus;
“Saudade” do amor distante
- As palavras escritas –
Não significam nada
Para os filhos da escuridão.
Para os filhos da escuridão
A caneta é uma enxada,
A escola o caminho da roça,
As cartas pedaços de papel,
Com imagens desconhecidas
Que não podem ser lidas.
Para os filhos da escuridão
A vida está na Pré-História
E o êxodo das cavernas
Caminha lado a lado
No claro da luz do dia!
Mas quase ninguém percebe
Os filhos da escuridão.
Eles são anjos intimidados;
São anjos humilhados;
São anjos encolhidos,
Anjos que não dão na vista,
Anjos ausentes da lista
Dos supremos letrados!
Quisera com minhas poesias
Oferecer a penumbra
Das primeiras palavras
Aos filhos da escuridão.
E quem sabe com eles compor
Uma canção de cidadania!
Gilberto Costa
UM POEMA PRA CHAMAR DE SEU
Eu queria fazer apenas
Um poema, que não falasse
Apenas de poemas
Nas arenas da poesia.
Eu queria fazer um poema
De apenas muitos dias!
Um poema de todas as cenas
Do cinema. Um poema
Do vôo das penas. Um poema
Do enfeite do diadema!
Um poema da linhagem
E da imagem de Iracema!
Um poema do canto da Ema;
Um poema da gema,
Da clara e casca do ovo.
Um poema, assim de novo:
Um poema que não fosse
Só meu. Um poema
Pra chamar também de seu!
Gilberto Costa
Um poema, que não falasse
Apenas de poemas
Nas arenas da poesia.
Eu queria fazer um poema
De apenas muitos dias!
Um poema de todas as cenas
Do cinema. Um poema
Do vôo das penas. Um poema
Do enfeite do diadema!
Um poema da linhagem
E da imagem de Iracema!
Um poema do canto da Ema;
Um poema da gema,
Da clara e casca do ovo.
Um poema, assim de novo:
Um poema que não fosse
Só meu. Um poema
Pra chamar também de seu!
Gilberto Costa
DONA DE MIM
Inicio minha viagem
Num deslize suave.
Não vôo, não tenho asas,
Mas pareço uma ave,
Uma criança sonhando,
Voando em retorno pra casa!
Substituo meus pés
Pela mecânica esférica
Dos pneus. Da janela
Do ônibus, vejo que a
Natureza adormeceu!
Fico a observar seu sono,
Sua bela face. Tudo é pureza,
Não há disfarce! Vejo que me
Abandono no seu sono,
Na beleza que é o encarte
Dos meus sonhos! Imagino
O artista, o dono da arte!
E quando puxo a cortina,
Descubro que a natureza
É feminina, é mulher!
Gilberto Costa
Num deslize suave.
Não vôo, não tenho asas,
Mas pareço uma ave,
Uma criança sonhando,
Voando em retorno pra casa!
Substituo meus pés
Pela mecânica esférica
Dos pneus. Da janela
Do ônibus, vejo que a
Natureza adormeceu!
Fico a observar seu sono,
Sua bela face. Tudo é pureza,
Não há disfarce! Vejo que me
Abandono no seu sono,
Na beleza que é o encarte
Dos meus sonhos! Imagino
O artista, o dono da arte!
E quando puxo a cortina,
Descubro que a natureza
É feminina, é mulher!
Gilberto Costa
BALÉ DOS SENTIDOS
Imagine um Balé dos Sentidos,
os sons com sabores de luzes
pescados em seus rodopios...
Imagine os olhos como asas
de gaivotas dançantes,
rodeando barcos perdidos...
Imagine a luz se juntando
ao brilho, numa leveza
esgazeada! Imagine...
Imagine a boca em contradança
num beijo repousante
de brisa! Bichos e magos
em busca d’um Vesúvio ardente!
Imagine o ciúme do perfume,
as pétalas enroscadas
numa dança de ventre olfativo!
Imagine as cores dos sabores,
os sons de enxames coletivos...
Imagine... Imagine...
Nada do que não possa ser
aos olhos fechados e vivos!
Imagine um Balé dos Sentidos...
Um balé de Deuses vencidos!
Bob Pai (Gilberto Costa) Bob Filho (Samuel Pedro)
os sons com sabores de luzes
pescados em seus rodopios...
Imagine os olhos como asas
de gaivotas dançantes,
rodeando barcos perdidos...
Imagine a luz se juntando
ao brilho, numa leveza
esgazeada! Imagine...
Imagine a boca em contradança
num beijo repousante
de brisa! Bichos e magos
em busca d’um Vesúvio ardente!
Imagine o ciúme do perfume,
as pétalas enroscadas
numa dança de ventre olfativo!
Imagine as cores dos sabores,
os sons de enxames coletivos...
Imagine... Imagine...
Nada do que não possa ser
aos olhos fechados e vivos!
Imagine um Balé dos Sentidos...
Um balé de Deuses vencidos!
Bob Pai (Gilberto Costa) Bob Filho (Samuel Pedro)
PARA UM BLUES INICIANTE
Eu desejo um cálice
No palácio de Alice.
Alguém me disse, entre
Nobreza não faz sentido.
O meu lugar é dos Deuses
Bem rogados. Minhas cobertas
Cobrem os gritos afogados!
Na catedral, está lá o meu
Socorro. Eu desço o morro
Para um blues iniciante.
Minha comédia é divina
Para Dante! Adeus menina
Lá se vai seu viajante...
Gilberto Costa
No palácio de Alice.
Alguém me disse, entre
Nobreza não faz sentido.
O meu lugar é dos Deuses
Bem rogados. Minhas cobertas
Cobrem os gritos afogados!
Na catedral, está lá o meu
Socorro. Eu desço o morro
Para um blues iniciante.
Minha comédia é divina
Para Dante! Adeus menina
Lá se vai seu viajante...
Gilberto Costa
O MAGO DA VIOLA
A busca de descobertas
Da verdadeira alegria
Da vida, não está em mim,
Encontra-se bem embaixo
Das cobertas do Senado, sim!
Eu sou o Mago da Viola
Que assola o Cerrado,
Na sola dos seus ritmos!
Deus esteve aqui, mas saiu
Cedo; as rosas são para
Os eleitos e para os eleitores,
O segredo dos espinhos!
No relevo das redes
Da paixão, o paraíso
É uma solidão sem lar!
O Céu está aberto, mas ninguém
Entra. E qualquer um que esteja
Perto, também não tenta.
E s’eu tocar um jazz, minha
Tez continuará pálida?
Então me traga uma balada
Inválida d’um anjo
Sem nome, q’eu farei um
Arranjo dos costumes
Numa linguagem leve e poética!
E darei uma noite da sua
Ética, livre de quaisquer
Vestígios, de um passado
Em litígio de cobertas
Das atas secretas dos sem nado!
Gilberto Costa
Da verdadeira alegria
Da vida, não está em mim,
Encontra-se bem embaixo
Das cobertas do Senado, sim!
Eu sou o Mago da Viola
Que assola o Cerrado,
Na sola dos seus ritmos!
Deus esteve aqui, mas saiu
Cedo; as rosas são para
Os eleitos e para os eleitores,
O segredo dos espinhos!
No relevo das redes
Da paixão, o paraíso
É uma solidão sem lar!
O Céu está aberto, mas ninguém
Entra. E qualquer um que esteja
Perto, também não tenta.
E s’eu tocar um jazz, minha
Tez continuará pálida?
Então me traga uma balada
Inválida d’um anjo
Sem nome, q’eu farei um
Arranjo dos costumes
Numa linguagem leve e poética!
E darei uma noite da sua
Ética, livre de quaisquer
Vestígios, de um passado
Em litígio de cobertas
Das atas secretas dos sem nado!
Gilberto Costa
GESTOS DIGESTOS
Não sei o que é escrever
Sem querer. Tentar as palavras
Em vão; buscar um poema
Que não sai! Só sei escrever
Com muito querer. Com gestos
Digestos, não com restos
De inspiração! Não sei o que é
Escrever sem querer: as mãos
Sobre os cabelos, o medo
No coração! E com os olhos
Fechados, como a buscarem
Visão! Só sei escrever
Com querer e com fé de ser
Emoção! Mas sei o sofrer
Que o desistir faz: o descaso
À caneta, mais um gesto
Contumaz! Apenas a mão
Na maçaneta, o medo
De abrir a porta e vê
O desconhecido mundo
De poesias de bem querer!
Gilberto Costa
Sem querer. Tentar as palavras
Em vão; buscar um poema
Que não sai! Só sei escrever
Com muito querer. Com gestos
Digestos, não com restos
De inspiração! Não sei o que é
Escrever sem querer: as mãos
Sobre os cabelos, o medo
No coração! E com os olhos
Fechados, como a buscarem
Visão! Só sei escrever
Com querer e com fé de ser
Emoção! Mas sei o sofrer
Que o desistir faz: o descaso
À caneta, mais um gesto
Contumaz! Apenas a mão
Na maçaneta, o medo
De abrir a porta e vê
O desconhecido mundo
De poesias de bem querer!
Gilberto Costa
ORAÇÕES
Pode ser um Pai-Nosso.
Pai, eu também posso!
Pode uma Ave-Maria.
Mãe, eu tenho poesia!
Se também vier um Credo
Rezo uma Salve-Rainha
E tiro da bainha o Sinal
Da Cruz, acendendo a luz
Da Santíssima Trindade!
Na história dos pecados
Procuro idade pros meus
Atos! Atos de Esperança,
Adoração e Caridade!
Atos de Fé e Contrição,
De Amor e Humanidade!
Já na Oração da Manhã
Sinto meu afã. Na Oração
Da Noite, faço sumir
Meu açoite! Depois da missa
Qualquer premissa de oração
É a Sagrada Comunhão!
Mais um ato. Um ato só!
Um Ato de Oferecimento
Para nossa República.
Um Ato de Súplica, amém!
Gilberto Costa
Pai, eu também posso!
Pode uma Ave-Maria.
Mãe, eu tenho poesia!
Se também vier um Credo
Rezo uma Salve-Rainha
E tiro da bainha o Sinal
Da Cruz, acendendo a luz
Da Santíssima Trindade!
Na história dos pecados
Procuro idade pros meus
Atos! Atos de Esperança,
Adoração e Caridade!
Atos de Fé e Contrição,
De Amor e Humanidade!
Já na Oração da Manhã
Sinto meu afã. Na Oração
Da Noite, faço sumir
Meu açoite! Depois da missa
Qualquer premissa de oração
É a Sagrada Comunhão!
Mais um ato. Um ato só!
Um Ato de Oferecimento
Para nossa República.
Um Ato de Súplica, amém!
Gilberto Costa
O CARA
O livro é mesmo o cara
Que fala pelas falas
Escritas! Que a todos fita
No folhear de suas páginas!
O livro é o cara que
Se embala ao criador.
Que se balança pelo toque
De seus dedos! Que expõe
Segredos; que compõe os
Enredos da nossa imaginação!
O livro é o cara que
Encara cara a cara
O leitor, parte do dia.
Que se parte em poesias
E parte para além mais
Do que se imaginaria...
O livro é o cara de cara
Aberta! De corpo despido,
Tatuado com gravuras,
Das muitas criaturas,
Ressuscitadas por Cristo!
O livro é o cara gerado
De organismos escritos.
Amamentado no encanto
E olhado por olhares
Lascivos! O cara é história
De início, meio e fim.
Se leio, logo existo!
Preciso arriscar meu olhar
Para todas as palavras!
Gilberto Costa
Que fala pelas falas
Escritas! Que a todos fita
No folhear de suas páginas!
O livro é o cara que
Se embala ao criador.
Que se balança pelo toque
De seus dedos! Que expõe
Segredos; que compõe os
Enredos da nossa imaginação!
O livro é o cara que
Encara cara a cara
O leitor, parte do dia.
Que se parte em poesias
E parte para além mais
Do que se imaginaria...
O livro é o cara de cara
Aberta! De corpo despido,
Tatuado com gravuras,
Das muitas criaturas,
Ressuscitadas por Cristo!
O livro é o cara gerado
De organismos escritos.
Amamentado no encanto
E olhado por olhares
Lascivos! O cara é história
De início, meio e fim.
Se leio, logo existo!
Preciso arriscar meu olhar
Para todas as palavras!
Gilberto Costa
DOIS INSTANTES
Numa noite de primavera
De muitas estrelas parindo,
Rabisquei meus primeiros
Versos, na companhia
D’uma vela sorrindo!
Eram versos dispersos,
Achei-os controversos
E os queimei em seus pingos.
Sobrou-me um pedaço
De papel chamuscado.
Voltei-me novamente
Ao parto de luzes divinas!
Eram estrelas meninas
Que se diziam sonetos!
VOCÊ QUE ME OLHAS AO LONGE, DISTANTE
PARECENDO MESMO NÃO QUERER ME VER.
ESCONDIDA NAS NUVENS, EM NOITE DE CHOVER,
COM TEUS OLHOS MIÚDOS E BRILHANTES!
Muito primário! Voltei
A queimá-los e a vela
Parecia ter fome de poesia!
Alimentei o apetite
De sua chama com ternura
E a entrega de quem ama.
Tentei mais uma vez,
A inspiração me forçava
A fazê-lo. Ser poeta
Sem sê-lo, pouco espaço
Para escrever o soneto.
COMO VAGA-LUMES AMADOS E AMANTES,
FAZENDO EM MIM O AMOR REVIVER.
LEVANDO-ME AO CÉU, JUNTO A TI E MOVER,
PARA MEUS OLHOS ESSES DOIS DIAMANTES!
Há dificuldades! Não consigo
Achar os versos certos.
A folha já não parece
Tão alva... Olho para
Minha Estrela Dalva!
ABRINDO E FECHANDO, AGORA CONSTANTES
ASSIM COM MAIS LUZ, JÁ POSSO ESCREVER.
ESTIVESTE EM MIM, CONSIGO REVER
Há pouco brilho na vela.
A noite talvez morra
Com ela. Olho para o céu,
Ainda há algumas estrelas.
Conto onze faltam três.
E REGISTRAR O QUE SÃO DOIS INSTANTES:
A VELA QUE MORRE DE TANTO ACENDER
O MEU PERCEBER ASSIM COMO ANTES...
Escurece. Tudo parece
Como se nada tivesse
Acontecido. Sinto-me
Esquecido. Talvez tenha
Dormido. E só ter sido
Mais um sono contigo!
Gilberto Costa
De muitas estrelas parindo,
Rabisquei meus primeiros
Versos, na companhia
D’uma vela sorrindo!
Eram versos dispersos,
Achei-os controversos
E os queimei em seus pingos.
Sobrou-me um pedaço
De papel chamuscado.
Voltei-me novamente
Ao parto de luzes divinas!
Eram estrelas meninas
Que se diziam sonetos!
VOCÊ QUE ME OLHAS AO LONGE, DISTANTE
PARECENDO MESMO NÃO QUERER ME VER.
ESCONDIDA NAS NUVENS, EM NOITE DE CHOVER,
COM TEUS OLHOS MIÚDOS E BRILHANTES!
Muito primário! Voltei
A queimá-los e a vela
Parecia ter fome de poesia!
Alimentei o apetite
De sua chama com ternura
E a entrega de quem ama.
Tentei mais uma vez,
A inspiração me forçava
A fazê-lo. Ser poeta
Sem sê-lo, pouco espaço
Para escrever o soneto.
COMO VAGA-LUMES AMADOS E AMANTES,
FAZENDO EM MIM O AMOR REVIVER.
LEVANDO-ME AO CÉU, JUNTO A TI E MOVER,
PARA MEUS OLHOS ESSES DOIS DIAMANTES!
Há dificuldades! Não consigo
Achar os versos certos.
A folha já não parece
Tão alva... Olho para
Minha Estrela Dalva!
ABRINDO E FECHANDO, AGORA CONSTANTES
ASSIM COM MAIS LUZ, JÁ POSSO ESCREVER.
ESTIVESTE EM MIM, CONSIGO REVER
Há pouco brilho na vela.
A noite talvez morra
Com ela. Olho para o céu,
Ainda há algumas estrelas.
Conto onze faltam três.
E REGISTRAR O QUE SÃO DOIS INSTANTES:
A VELA QUE MORRE DE TANTO ACENDER
O MEU PERCEBER ASSIM COMO ANTES...
Escurece. Tudo parece
Como se nada tivesse
Acontecido. Sinto-me
Esquecido. Talvez tenha
Dormido. E só ter sido
Mais um sono contigo!
Gilberto Costa
O ENLACE
O poema sentiu um arrepio
Pela poesia, finalmente.
Parecido com um Vesúvio
De êxtase ardente!
Um arrepio de lavas apaixonadas,
Um arrepio capaz de encher
Nossos olhos d’água
E promover um frenesi
Na junção das palavras.
Se haverá casamento?
O sim nas rimas presume
O enlace matrimonial!
Se virão muitas Graças?
Com certeza, bastante!
Os nomes hão de se saber:
O primogênito chamar-se-á
Soneto! Terá Decassílabo,
Sextilha, Ode e Haicai,
Trova e outros mais
- uma família tradicional –
Que por ser grande, habitará
Em livros de muitas páginas!
Páginas adoradas por poetas
Clássicos e modernos,
Presentes em muitas mãos
E em olhares eternos...
Gilberto Costa
Pela poesia, finalmente.
Parecido com um Vesúvio
De êxtase ardente!
Um arrepio de lavas apaixonadas,
Um arrepio capaz de encher
Nossos olhos d’água
E promover um frenesi
Na junção das palavras.
Se haverá casamento?
O sim nas rimas presume
O enlace matrimonial!
Se virão muitas Graças?
Com certeza, bastante!
Os nomes hão de se saber:
O primogênito chamar-se-á
Soneto! Terá Decassílabo,
Sextilha, Ode e Haicai,
Trova e outros mais
- uma família tradicional –
Que por ser grande, habitará
Em livros de muitas páginas!
Páginas adoradas por poetas
Clássicos e modernos,
Presentes em muitas mãos
E em olhares eternos...
Gilberto Costa
PRETENSÃO
Não queria ter somente
Coração de poeta
Queria ter corpo de poeta
O corpo inteiro
A vida inteira
Queria pisar
Com pés de poeta
Queria gesticular com mãos
E braços de poeta
Queria ter digestão de poeta
Queria sentir a emoção
Que sente o poeta
Queria pensar
E ser a razão
Que é o poeta
E depois de tudo
Queria engravidar de inspiração
Queria viver uma gestação
De palavras
Queria dar a luz à poesia
Mesmo que fosse
Somente um parto
Gilberto Costa
Coração de poeta
Queria ter corpo de poeta
O corpo inteiro
A vida inteira
Queria pisar
Com pés de poeta
Queria gesticular com mãos
E braços de poeta
Queria ter digestão de poeta
Queria sentir a emoção
Que sente o poeta
Queria pensar
E ser a razão
Que é o poeta
E depois de tudo
Queria engravidar de inspiração
Queria viver uma gestação
De palavras
Queria dar a luz à poesia
Mesmo que fosse
Somente um parto
Gilberto Costa
AINDA DÁ NAMORO
Soletrando as sílabas
Das palavras
Em quase nada
É dito quase de quase tudo
É dito que o amor
É fácil de dizer “TE AMO”
É dito que “TE AMO”
Ainda faz apaixonar
É dito que a paixão
Dura quase sempre muito
É dito que a grandeza
Emana do coração
Soletrando as sílabas
Das palavras
Há tempo pra tecer versos
Há tempo pra recitar
E juntar na fiação
Os tempos dispersos
Há tempo para a diáspora
Reunir os sentimentos
Com suas falas cálidas
Na casa do coração
Soletrando as sílabas
Das palavras
Há tempo pra namorar na praça
Há tempo pra galanteios
Há tempo para os rostos
Aproximarem-se mais
E dançar sentindo o outro
Em sublimes volteios
Sentindo de perto a paz
Soletrando as sílabas
Das palavras
Ainda dá namoro
E longas caminhadas
De mãos dadas
Gilberto Costa
Das palavras
Em quase nada
É dito quase de quase tudo
É dito que o amor
É fácil de dizer “TE AMO”
É dito que “TE AMO”
Ainda faz apaixonar
É dito que a paixão
Dura quase sempre muito
É dito que a grandeza
Emana do coração
Soletrando as sílabas
Das palavras
Há tempo pra tecer versos
Há tempo pra recitar
E juntar na fiação
Os tempos dispersos
Há tempo para a diáspora
Reunir os sentimentos
Com suas falas cálidas
Na casa do coração
Soletrando as sílabas
Das palavras
Há tempo pra namorar na praça
Há tempo pra galanteios
Há tempo para os rostos
Aproximarem-se mais
E dançar sentindo o outro
Em sublimes volteios
Sentindo de perto a paz
Soletrando as sílabas
Das palavras
Ainda dá namoro
E longas caminhadas
De mãos dadas
Gilberto Costa
PARADOXOS DO CORPO
Corpos das manhãs
Corpos de maçãs
Corpos de todos os turnos
De reluzência bela
Corpos que são delas
Quase somente as mulheres
Corpos à espera dos talheres
Corpos da fome dos quereres
Corpos dos prazeres
Corpos de estética máxima
Corpos de graça quase divinos
Corpos com manchas escondidas
Na alma
Corpos de carpinteiros
Corpos de cortes certeiros
Corpos cortados, quase ao meio
Corpos de corações cheios
De devaneios
Corpos sem meios-termos
Corpos às vezes, quase enfermos
Corpos de amores alheios
Corpos que apenas olham
Corpos passarem
Corpos que deambulam, faceiros
Corpos da moda
Corpos em cadeiras de rodas
Corpos que não incomodam
Olhares faceiros
Corpos picados de exames
Corpos riscados de arames
Corpos do Corcunda de Notre-Dame
Corpos sem estética
Corpos que conseguem amar
Vestidos de ética
Corpos de todos os corpos
De imaginações diversas
Corpos em vez de menos, mais
Corpos que nas conversas, versam
Corpos que de corpo e alma
Enxergam um único corpo
O corpo partido
O corpo de sangue oferecido
O corpo de pão dado
O corpo pregado na cruz
O corpo do Cristo Jesus
O corpo do invento de Deus
Amém ou além
Gilberto Costa
Corpos de maçãs
Corpos de todos os turnos
De reluzência bela
Corpos que são delas
Quase somente as mulheres
Corpos à espera dos talheres
Corpos da fome dos quereres
Corpos dos prazeres
Corpos de estética máxima
Corpos de graça quase divinos
Corpos com manchas escondidas
Na alma
Corpos de carpinteiros
Corpos de cortes certeiros
Corpos cortados, quase ao meio
Corpos de corações cheios
De devaneios
Corpos sem meios-termos
Corpos às vezes, quase enfermos
Corpos de amores alheios
Corpos que apenas olham
Corpos passarem
Corpos que deambulam, faceiros
Corpos da moda
Corpos em cadeiras de rodas
Corpos que não incomodam
Olhares faceiros
Corpos picados de exames
Corpos riscados de arames
Corpos do Corcunda de Notre-Dame
Corpos sem estética
Corpos que conseguem amar
Vestidos de ética
Corpos de todos os corpos
De imaginações diversas
Corpos em vez de menos, mais
Corpos que nas conversas, versam
Corpos que de corpo e alma
Enxergam um único corpo
O corpo partido
O corpo de sangue oferecido
O corpo de pão dado
O corpo pregado na cruz
O corpo do Cristo Jesus
O corpo do invento de Deus
Amém ou além
Gilberto Costa
PAU-BRASIL
Imagine uma perua
Parada, sempre, na rua
No Século Dezesseis!
Querendo roupa vermelha,
Na mente, uma estrela,
Privilegio só de Reis!
Nas terras de Manuel,
Regadas o coquetel,
Almejando sua vez.
Aí descobre uma tinta,
Numa semana, na quinta,
De preço muito barato.
Como não ela querer,
Pra poder aparecer
Com seu novo aparato?
Foi o nosso Pau-brasil
Que mudou destino vil,
Dando a perua estrato!
Nos primeiros trinta anos
Do nosso descobrimento,
O Brasil do Pau-brasil,
A árvore do momento.
Na Europa fez a moda;
Nosso desenvolvimento!
Foi ela, justamente,
O pigmento vermelho.
Ela exclusivamente
Que se fez nosso espelho!
Pau-brasil, a sua cor
Por muito tempo reinou;
Madeira de violinos!
Também peças d’estruturas,
Nos altares as juras
Confessaram seus destinos.
Aquela imaginação,
Não era inda Nação
Nossos galhos pequeninhos!
Faz tempo q’eu não vejo,
Onde está o Pau-brasil?
Parece que não pariu
Outra planta do desejo!
Nos embalos do cortejo
Da sonhadora perua,
Que imaginou ser sua
As regalias dos Reis.
Que no século Dezesseis
As exibiram na rua!
Pau-brasil, Brasil do pau:
Riqueza do meu Brasil!
Foi carregado na Nau;
A Nau que nos descobriu!
Gilberto Costa
Parada, sempre, na rua
No Século Dezesseis!
Querendo roupa vermelha,
Na mente, uma estrela,
Privilegio só de Reis!
Nas terras de Manuel,
Regadas o coquetel,
Almejando sua vez.
Aí descobre uma tinta,
Numa semana, na quinta,
De preço muito barato.
Como não ela querer,
Pra poder aparecer
Com seu novo aparato?
Foi o nosso Pau-brasil
Que mudou destino vil,
Dando a perua estrato!
Nos primeiros trinta anos
Do nosso descobrimento,
O Brasil do Pau-brasil,
A árvore do momento.
Na Europa fez a moda;
Nosso desenvolvimento!
Foi ela, justamente,
O pigmento vermelho.
Ela exclusivamente
Que se fez nosso espelho!
Pau-brasil, a sua cor
Por muito tempo reinou;
Madeira de violinos!
Também peças d’estruturas,
Nos altares as juras
Confessaram seus destinos.
Aquela imaginação,
Não era inda Nação
Nossos galhos pequeninhos!
Faz tempo q’eu não vejo,
Onde está o Pau-brasil?
Parece que não pariu
Outra planta do desejo!
Nos embalos do cortejo
Da sonhadora perua,
Que imaginou ser sua
As regalias dos Reis.
Que no século Dezesseis
As exibiram na rua!
Pau-brasil, Brasil do pau:
Riqueza do meu Brasil!
Foi carregado na Nau;
A Nau que nos descobriu!
Gilberto Costa
INFLEXÃO AMBIENTAL
A navegação aviventa comércios,
Mas nada pode haver sem rios.
Rios não pode haver sem fontes,
Fontes não pode haver sem chuvas
Nem orvalhos.
Chuvas e orvalhos não pode haver
Sem umidade.
Umidade não pode haver sem matas.
É por isso que nossas terras
Estão ermas, mal cultivadas.
Nossas preciosas matas
Estão desaparecendo.
Fogos e machados,
Além de braços indolentes,
São os maiores algozes.
Nossos montes e encostas
Vão-se escalvando, diariamente.
Nossas chuvas fecundantes
Já não caem como antes.
Já não há tantos prados!
Sem prados,
Poucos ou nenhuns gados.
Sem gados,
Nenhuma agricultura.
E o Nosso Criador
Pouco poderá fazer
Pela sua criatura.
Poema inspirado em texto de José Bonifácio (patrono da independência),
a partir de suas reflexões, datado de 1815.
Gilberto Costa
Mas nada pode haver sem rios.
Rios não pode haver sem fontes,
Fontes não pode haver sem chuvas
Nem orvalhos.
Chuvas e orvalhos não pode haver
Sem umidade.
Umidade não pode haver sem matas.
É por isso que nossas terras
Estão ermas, mal cultivadas.
Nossas preciosas matas
Estão desaparecendo.
Fogos e machados,
Além de braços indolentes,
São os maiores algozes.
Nossos montes e encostas
Vão-se escalvando, diariamente.
Nossas chuvas fecundantes
Já não caem como antes.
Já não há tantos prados!
Sem prados,
Poucos ou nenhuns gados.
Sem gados,
Nenhuma agricultura.
E o Nosso Criador
Pouco poderá fazer
Pela sua criatura.
Poema inspirado em texto de José Bonifácio (patrono da independência),
a partir de suas reflexões, datado de 1815.
Gilberto Costa
PASSAGENS
É quase noite
O sol ta passando
O serviço pra lua
Há um tênue escuro na rua
É sua a luz nua
Que a tarde irradia
É noite
É hora de começar a poesia
Sua construção
Vai até de madrugada
Quero que me traga
Um gole de cachaça
Pode ser na taça
Do seu coração
É noite
Não quero me desfazer
Da minha graça
Minha inspiração
Está quase gelada
É das estrelas a tarefa
De servir o poeta
Ainda é noite
O sol ameaça meu orvalho
Pode sem vão
O trabalho do refrão
Preciso logo emendar
As estrofes do perdão
Antes de o galo bater
Suas asas
É quase amanhecer
Meus eus submissos
Entram em rebuliço
Prego na cruz
O Corpo de Cristo
E como estava escrito
Nego minha alma
Nesta madrugada calma
Gilberto Costa
O sol ta passando
O serviço pra lua
Há um tênue escuro na rua
É sua a luz nua
Que a tarde irradia
É noite
É hora de começar a poesia
Sua construção
Vai até de madrugada
Quero que me traga
Um gole de cachaça
Pode ser na taça
Do seu coração
É noite
Não quero me desfazer
Da minha graça
Minha inspiração
Está quase gelada
É das estrelas a tarefa
De servir o poeta
Ainda é noite
O sol ameaça meu orvalho
Pode sem vão
O trabalho do refrão
Preciso logo emendar
As estrofes do perdão
Antes de o galo bater
Suas asas
É quase amanhecer
Meus eus submissos
Entram em rebuliço
Prego na cruz
O Corpo de Cristo
E como estava escrito
Nego minha alma
Nesta madrugada calma
Gilberto Costa
ASAS
Asas
Que passam passas
Uvas esparsas
Saúvas de luvas
Escassas
Asas
Nas casas de anjos
Anjos Alados
Calados nos arranjos
Sagrados
Asas
Que escalam calas
Asas de morcego
Asas no Rio do Medo
Asas de Janeiro
Asas
De escalas musicais
Asas no cais do porto
Asas de mar morto
Por Jorge Amado
Asas de tocaias
Asas Caymmi de mim
Asas das senzalas
Tecendo palas
Nas Terras do Sem Fim
Asas
De segundo sem primeira
Asas da Última Ceia
Asas da cera de Ycaro
Asas derradeiras
Asas de Rainha
Que não é abelha
Asas que não batem asas
Asas sem salvas de palmas
Asas de baladeira
Asas
Que não encantam praças
Asas que não alcançam graças
Asas que perderam as marchas
Descendo a ladeira
Asas que passam passas
Asas de Anjos Alados
Asas que escalam calas
Asas de escalas musicais
Asas Caymmi no cais
Asas da Última Ceia
Asas que não batem asas
Asas que não são de abelhas
Asas Rainha de Mim
Asas que te quero sim
Gilberto Costa
Que passam passas
Uvas esparsas
Saúvas de luvas
Escassas
Asas
Nas casas de anjos
Anjos Alados
Calados nos arranjos
Sagrados
Asas
Que escalam calas
Asas de morcego
Asas no Rio do Medo
Asas de Janeiro
Asas
De escalas musicais
Asas no cais do porto
Asas de mar morto
Por Jorge Amado
Asas de tocaias
Asas Caymmi de mim
Asas das senzalas
Tecendo palas
Nas Terras do Sem Fim
Asas
De segundo sem primeira
Asas da Última Ceia
Asas da cera de Ycaro
Asas derradeiras
Asas de Rainha
Que não é abelha
Asas que não batem asas
Asas sem salvas de palmas
Asas de baladeira
Asas
Que não encantam praças
Asas que não alcançam graças
Asas que perderam as marchas
Descendo a ladeira
Asas que passam passas
Asas de Anjos Alados
Asas que escalam calas
Asas de escalas musicais
Asas Caymmi no cais
Asas da Última Ceia
Asas que não batem asas
Asas que não são de abelhas
Asas Rainha de Mim
Asas que te quero sim
Gilberto Costa
O ATELIER DA ALMA
Queria encher todas as páginas,
Dos desejos, com palavras.
Palavras vãs, palavras sãs,
Palavras pagãs
Ou ainda batizadas
No Poço de Sant’Ana!
Queria ocupar os espaços,
Entre os dias da semana,
Com todas as lágrimas
Ávidas de vida!
Queria com versos
E cerdas de sentimentos
Pintar poesias para você:
Telas no atelier da alma;
As obras completas
Dos poetas!
Gilberto Costa
Dos desejos, com palavras.
Palavras vãs, palavras sãs,
Palavras pagãs
Ou ainda batizadas
No Poço de Sant’Ana!
Queria ocupar os espaços,
Entre os dias da semana,
Com todas as lágrimas
Ávidas de vida!
Queria com versos
E cerdas de sentimentos
Pintar poesias para você:
Telas no atelier da alma;
As obras completas
Dos poetas!
Gilberto Costa
AS PALAVRAS
As palavras como faladas
São contos de fadas
São cores mágicas
As palavras
As palavras que se desejam plácidas
Estão nas palmas
Das nossas falas
São palavras calmas
Palavras compactas
Mesmo que raras e ralas
As palavras exalam
Sons e perfumes
São palavras imunes
Aos costumes dos ciúmes
As palavras pálidas
São como larvas ainda
São palavras começadas
E findas
Em poesias cálidas
Gilberto Costa
São contos de fadas
São cores mágicas
As palavras
As palavras que se desejam plácidas
Estão nas palmas
Das nossas falas
São palavras calmas
Palavras compactas
Mesmo que raras e ralas
As palavras exalam
Sons e perfumes
São palavras imunes
Aos costumes dos ciúmes
As palavras pálidas
São como larvas ainda
São palavras começadas
E findas
Em poesias cálidas
Gilberto Costa
LIVROS E ÍNDIOS
No dia de hoje, duas datas necessitam ser lembradas pela importância que representam para qualquer nação no mundo: “o dia do livro” e “o dia do índio”. Para qualquer nação do mundo se as exceções não atingissem o Brasil, posto que em nosso país se exima em dar importância aos seus primeiros habitantes e ao caminho do conhecimento que tem no livro um de seus expoentes maiores.
Caetano Veloso, em uma de suas músicas, também intitulada “Livros”, começa, referindo-se ao universo de palavras guardadas que tivemos e ainda temos contatos, assim: “Tropeçavas nos astros desastrada/Quase não tínhamos livros em casa/E a cidade não tinha livraria/Mas os livros que em nossa vida entraram/São como a radiação de um corpo negro/Apontando para a expansão do universo/Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso/(E, sem dúvida, sobretudo o verso)/É o que pode lançar mundos no mundo”. É, continuamos quase sem livros em casa e em nossa cidade não há tantas bibliotecas...
Dia desses estivera a observar uma criança que sua atenção fora seduzida para o lixo. Vi que se dirigira em direção a uns caixotes cheios de livros ali jogados. Apanhou um, folheou desordenadamente como a indicar que não sabia ler. Pegou outro, demorou-se um pouco mais naquele, permitindo-me uma aproximação sem que percebesse. O livro era cheio de gravuras coloridas. Seus olhos se encheram de um brilho diferente; havia satisfação no que vira! Fotografias de animais que jamais conhecera e paisagens diferentes da nossa. Ela o levou para casa e deve ter mostrado a seus irmãos. O tempo que passou olhando as imagens contidas naquelas junções de páginas fê-la permanecer um pouco mais com seus parentes, fê-la esquecer as ruas. Quando aquela criança aprender a ler e escrever e tiver mais oferta de leitura além do lixo, com certeza será um ser humano mais feliz. É essa a magia dos livros!
Em Caicó quase que não há bibliotecas infanto-juvenis. As poucas que há são bastante saqueadas em função da pouca oferta em relação à demanda. E se há livros, poucos se reportam à história do índio em nossa cidade. Felizmente o último censo indicara que a população indígena do Estado tivera um aumento bastante significativo em relação ao ano de 1991. No Seridó há informações de alguns remanescentes em Acari e Currais Novos. Mas é necessário que os ainda restantes sejam preservados tais como dissera Caetano, desta feita na voz de Zé Ramalho, um trovador de aqui perto quando aduzira: “Um índio preservado em pleno corpo físico/Em todo sólido, todo gás e todo líquido/Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro/Em sombra, em luz, em som magnífico”.
Poucos livros e poucos índios. Até quando podemos ainda comemorá-los e tê-los entre nós, mesmo que seja para “Encher de vãs palavras muitas páginas/E de mais confusão as prateleiras...”
Caicó-RN, 19 de abril de 2009.
Gilberto Costa
Caetano Veloso, em uma de suas músicas, também intitulada “Livros”, começa, referindo-se ao universo de palavras guardadas que tivemos e ainda temos contatos, assim: “Tropeçavas nos astros desastrada/Quase não tínhamos livros em casa/E a cidade não tinha livraria/Mas os livros que em nossa vida entraram/São como a radiação de um corpo negro/Apontando para a expansão do universo/Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso/(E, sem dúvida, sobretudo o verso)/É o que pode lançar mundos no mundo”. É, continuamos quase sem livros em casa e em nossa cidade não há tantas bibliotecas...
Dia desses estivera a observar uma criança que sua atenção fora seduzida para o lixo. Vi que se dirigira em direção a uns caixotes cheios de livros ali jogados. Apanhou um, folheou desordenadamente como a indicar que não sabia ler. Pegou outro, demorou-se um pouco mais naquele, permitindo-me uma aproximação sem que percebesse. O livro era cheio de gravuras coloridas. Seus olhos se encheram de um brilho diferente; havia satisfação no que vira! Fotografias de animais que jamais conhecera e paisagens diferentes da nossa. Ela o levou para casa e deve ter mostrado a seus irmãos. O tempo que passou olhando as imagens contidas naquelas junções de páginas fê-la permanecer um pouco mais com seus parentes, fê-la esquecer as ruas. Quando aquela criança aprender a ler e escrever e tiver mais oferta de leitura além do lixo, com certeza será um ser humano mais feliz. É essa a magia dos livros!
Em Caicó quase que não há bibliotecas infanto-juvenis. As poucas que há são bastante saqueadas em função da pouca oferta em relação à demanda. E se há livros, poucos se reportam à história do índio em nossa cidade. Felizmente o último censo indicara que a população indígena do Estado tivera um aumento bastante significativo em relação ao ano de 1991. No Seridó há informações de alguns remanescentes em Acari e Currais Novos. Mas é necessário que os ainda restantes sejam preservados tais como dissera Caetano, desta feita na voz de Zé Ramalho, um trovador de aqui perto quando aduzira: “Um índio preservado em pleno corpo físico/Em todo sólido, todo gás e todo líquido/Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro/Em sombra, em luz, em som magnífico”.
Poucos livros e poucos índios. Até quando podemos ainda comemorá-los e tê-los entre nós, mesmo que seja para “Encher de vãs palavras muitas páginas/E de mais confusão as prateleiras...”
Caicó-RN, 19 de abril de 2009.
Gilberto Costa
ERA O QUE ERA
A nossa Casa Grande
Era uma tapera de palha
A nossa cama
Uma tipóia de rede
O nosso calçado
Era uma zapragata de rabicho
A nossa seda
Era uma camisa de volto mundo
A nossa geladeira
Era a cacimba no Rio Seridó
A nossa vitrola
Era o canto dos pássaros
A nossa internet
Era um rádio de oito elementos
O nosso abajur
Era a lamparina a gás
O nosso Ar Condicionado
Era o frio de julho
O nosso automóvel
Era o lombo do jumento
O nosso chuveiro
Eram as goteiras da tapera
O quisuco de uva
Era o nosso vinho
A nossa segurança
Era um cachorro sarnento
O nosso despertador
Era o galo no terreiro
O nosso grande livro
Era a caderneta da bodega
O nosso computador
Era nossa própria memória
O nosso televisor
Eram o sol e as estrelas
A nossa riqueza
Era o desejo de ser gente
O nosso desejo de ser gente
Era ser decente
O nosso desejo de ser decente
Era conviver com os diferentes
Gilberto Costa
Era uma tapera de palha
A nossa cama
Uma tipóia de rede
O nosso calçado
Era uma zapragata de rabicho
A nossa seda
Era uma camisa de volto mundo
A nossa geladeira
Era a cacimba no Rio Seridó
A nossa vitrola
Era o canto dos pássaros
A nossa internet
Era um rádio de oito elementos
O nosso abajur
Era a lamparina a gás
O nosso Ar Condicionado
Era o frio de julho
O nosso automóvel
Era o lombo do jumento
O nosso chuveiro
Eram as goteiras da tapera
O quisuco de uva
Era o nosso vinho
A nossa segurança
Era um cachorro sarnento
O nosso despertador
Era o galo no terreiro
O nosso grande livro
Era a caderneta da bodega
O nosso computador
Era nossa própria memória
O nosso televisor
Eram o sol e as estrelas
A nossa riqueza
Era o desejo de ser gente
O nosso desejo de ser gente
Era ser decente
O nosso desejo de ser decente
Era conviver com os diferentes
Gilberto Costa
O CIRCO
Ao fim de uma semana onde os compromissos laborais e políticos (quem disse que fazer política não se constitua numa modalidade de trabalho, pelo menos haverá de admitir que dê muito trabalho), passo a esvaziar a agenda, quando a de 27 de abril indica ser hoje “o dia do circo”.
Vão-se o cansaço e o estresse e sou impelido a acatar os apelos do passado. Como num passe de mágica, transporto-me a outro espaço e outro tempo histórico. Estou no poleiro (o dinheiro não dá para as cadeiras), e assisto aos trapezistas e palhaços e malabaristas, sem antes ter visto a luta entre “Bernardão” e “Aderbal”. Estou no circo, no terreno onde hoje funciona a Agência do INSS de Caicó! Ah, o circo! Só nele nossos corações batiam mais fortes, ante as acrobacias de homens e mulheres que desafiam as leis da gravidade! Ah, o circo! Só nele nosso riso e nosso gargalhar eram mais afrouxados, ante as presepadas dos palhaços, aqueles piolins (magros como um barbante) e carequinhas, de caras pintadas e colarinhos altos!
O circo dos elefantes e leões. O circo dos macacos gorilas e das zebras. Das onças pintadas e outros animais que o sertão não é capaz de mantê-los. O circo dos buzis e dos roletos de cana. O circo dos picolés de Derossi e da pipoca de Chico Tucana!
E estou quase a cochilar, a me render ao cansaço, quando me vem à mente dois grandes filmes: “O mundo do circo”, com John Wayne, Rita Rayworth e Claudia Cardinale. Um cawboy que agora é proprietário de circo e mãe e filha que passam a conhecer os prazeres e as tragédias do mundo circense. Bela película, onde tristeza e felicidade se misturam, além de muita camaradagem e bravura. Um trio de arrepiar! Mas é “O Circo”. O circo de Chaplin! O circo de Carlitos! O vagabundo que acaba dentro da empanada ao fugir da polícia, que o confundira com um batedor de carteiras. Calças largas, palito apertado e chapéu coco. E ele não precisou mais que um cabo de vassoura para fazer encenar um ensaio na corda bamba! Carlitos, um mudo que exercitou sua eloqüência no circo!
“O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer”, disse Piolin, alguns minutos antes de morrer. Ele que faz ser 27 de abril o “dia do circo”. Hoje é o último espetáculo e o ingresso só custa metade do preço...
Gilberto Costa
Vão-se o cansaço e o estresse e sou impelido a acatar os apelos do passado. Como num passe de mágica, transporto-me a outro espaço e outro tempo histórico. Estou no poleiro (o dinheiro não dá para as cadeiras), e assisto aos trapezistas e palhaços e malabaristas, sem antes ter visto a luta entre “Bernardão” e “Aderbal”. Estou no circo, no terreno onde hoje funciona a Agência do INSS de Caicó! Ah, o circo! Só nele nossos corações batiam mais fortes, ante as acrobacias de homens e mulheres que desafiam as leis da gravidade! Ah, o circo! Só nele nosso riso e nosso gargalhar eram mais afrouxados, ante as presepadas dos palhaços, aqueles piolins (magros como um barbante) e carequinhas, de caras pintadas e colarinhos altos!
O circo dos elefantes e leões. O circo dos macacos gorilas e das zebras. Das onças pintadas e outros animais que o sertão não é capaz de mantê-los. O circo dos buzis e dos roletos de cana. O circo dos picolés de Derossi e da pipoca de Chico Tucana!
E estou quase a cochilar, a me render ao cansaço, quando me vem à mente dois grandes filmes: “O mundo do circo”, com John Wayne, Rita Rayworth e Claudia Cardinale. Um cawboy que agora é proprietário de circo e mãe e filha que passam a conhecer os prazeres e as tragédias do mundo circense. Bela película, onde tristeza e felicidade se misturam, além de muita camaradagem e bravura. Um trio de arrepiar! Mas é “O Circo”. O circo de Chaplin! O circo de Carlitos! O vagabundo que acaba dentro da empanada ao fugir da polícia, que o confundira com um batedor de carteiras. Calças largas, palito apertado e chapéu coco. E ele não precisou mais que um cabo de vassoura para fazer encenar um ensaio na corda bamba! Carlitos, um mudo que exercitou sua eloqüência no circo!
“O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer”, disse Piolin, alguns minutos antes de morrer. Ele que faz ser 27 de abril o “dia do circo”. Hoje é o último espetáculo e o ingresso só custa metade do preço...
Gilberto Costa
POESIA E ÁGUA
Dois átomos de hidrogênio
Mais um de oxigênio,
Um grande abraço e pronto:
É ÁGUA!
Água que vem,
Água que vai...
Água que cai...
Às vezes líquida,
Às vezes sólida
Outras gasosas.
Mas não importa!
Água é água.
Que brota nas fontes,
Que forma riacho e rios,
Que corre pelos vales,
Que se precipita nas cascatas,
Que se junta ao mar,
Que está presente no ar!
Que se alberga nos solos,
Que se infiltra nas raízes,
Que alimenta as plantas,
Que forma os lençóis!
Água que vem,
Água que vai...
Água que cai...
Que às vezes são nuvens,
Outras são orvalhos.
Que é neve, vapor e chuva,
Neblina e nevoeiro.
Água dona de quase
Nosso corpo inteiro!
Água que vem,
Água que vai...
Água que tem
Sua maior reserva
Nos olhos do poeta.
E como faz chover os poetas!
Poetas que não desperdiçam
A água do seu choro:
Água do choro para lavar a alma!
Poesia e água
Geradas no útero da alma!
Água que como palavras brotam
Da inspiração poética!
Gilberto Costa
Mais um de oxigênio,
Um grande abraço e pronto:
É ÁGUA!
Água que vem,
Água que vai...
Água que cai...
Às vezes líquida,
Às vezes sólida
Outras gasosas.
Mas não importa!
Água é água.
Que brota nas fontes,
Que forma riacho e rios,
Que corre pelos vales,
Que se precipita nas cascatas,
Que se junta ao mar,
Que está presente no ar!
Que se alberga nos solos,
Que se infiltra nas raízes,
Que alimenta as plantas,
Que forma os lençóis!
Água que vem,
Água que vai...
Água que cai...
Que às vezes são nuvens,
Outras são orvalhos.
Que é neve, vapor e chuva,
Neblina e nevoeiro.
Água dona de quase
Nosso corpo inteiro!
Água que vem,
Água que vai...
Água que tem
Sua maior reserva
Nos olhos do poeta.
E como faz chover os poetas!
Poetas que não desperdiçam
A água do seu choro:
Água do choro para lavar a alma!
Poesia e água
Geradas no útero da alma!
Água que como palavras brotam
Da inspiração poética!
Gilberto Costa
OH! AS MARCHINHAS...
Neste carnaval, escolha a sua marchinha. Oh! As marchinhas... Com seu “Raminho de Café”, rogue: “Joga a Chave Meu Amor”, porque “Não Dá Pra Entender” “A Cabeleira do Zezé”! “No Rancho da Praça Onze”, “As Pastorinhas” contam a “História do Brasil”, enquanto “Seu Julinho Vem”. “E Ninguém Perde Por Esperar” a “Linda Lourinha”!
“Pirata da Perna de Pau” “Há Uma Forte Corrente Contra Você”... Cuidado, “Tem Gato Na Tuba”, o jeito é colocar o “Retrato do Velho”. “Ó Abre Alas” q’eu quero passar, diz a “Sereia de Copacabana”, acompanhada de "A Chiquita Bacana”, que fantasiada conclama: “Yes, Nós Temos Bananas”!
“Não Faz Marola”, viu fulião, “Índio Quer Apito”! “O Teu Cabelo Não Nega”, “Linda Morena”, de “O Pé de Ouro”, “Balzaquiana”, “Fanzoca de Rádio”, que logo cedinho azucrina o juízo do “Zé Pereira”! Sim, “Tomara Que Chova”, “A Água Lava Tudo”, e na quarta-feira de cinzas, ninguém enxerga mais “O Passo do Kanguru”.
Já estou no “Grau 10”, confesso! Um só pedido: venha me encher de dengo, “Mulata Yê, Yê, Yê”, “Pepita de Copacabana”, “Colombina Yê, Yê, Yê”...
Gilberto Costa
“Pirata da Perna de Pau” “Há Uma Forte Corrente Contra Você”... Cuidado, “Tem Gato Na Tuba”, o jeito é colocar o “Retrato do Velho”. “Ó Abre Alas” q’eu quero passar, diz a “Sereia de Copacabana”, acompanhada de "A Chiquita Bacana”, que fantasiada conclama: “Yes, Nós Temos Bananas”!
“Não Faz Marola”, viu fulião, “Índio Quer Apito”! “O Teu Cabelo Não Nega”, “Linda Morena”, de “O Pé de Ouro”, “Balzaquiana”, “Fanzoca de Rádio”, que logo cedinho azucrina o juízo do “Zé Pereira”! Sim, “Tomara Que Chova”, “A Água Lava Tudo”, e na quarta-feira de cinzas, ninguém enxerga mais “O Passo do Kanguru”.
Já estou no “Grau 10”, confesso! Um só pedido: venha me encher de dengo, “Mulata Yê, Yê, Yê”, “Pepita de Copacabana”, “Colombina Yê, Yê, Yê”...
Gilberto Costa
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