sexta-feira, 14 de maio de 2010

VOTOS MESTIÇOS – JUSTIFICANDO INGRATIDÕES

Eu olho para as estrelas
À procura de brilho
E na realidade me ilho
Entre quatro paredes.
Deitado na minha rede,
Em meio aos meus versos castiços,
Penso nos votos mestiços
No Self-Service Eleitoral
D’Algumas lideranças, no curral
Do Seridó! Voto Minhoca
Para o candidato da terra!
Voto que não se encerra
Na mesma coligação!
Voto da tradição Uma
Para o senado. Voto de lacuna;
Voto da coluna do meio
- Vacância de pouco tempo -
Talvez preenchida em setembro!
Voto cheio de ferrugem;
Votos que mugem; votos
Com penugens de aves misturadas
- Tucanos, Bacuraus, Araras –
Votos BATUCANARAS!
Voto de quem não mais jura...
Voto Tanajura, no Palanque
Coração de Mãe! Voto VILMALBA;
Voto AGRITATÁ; voto GALBERÊ!
Voto melado de lama;
Voto sem Programa de Governo;
Voto que se espera que não chegue
Na urna! Voto da turma
Sem pensar o povo. Voto coxo!
E o eleitor meio que bobo,
Perambula pela rua,
Vestindo a esperança
Que não é sua... Que não é sua...

Gilberto Costa

TRINDADE MATERNA

(TEREZINHA/FÁTIMA/FRANCISCA)

Como pode um ser ser assim:
Composto de mimo; ternura!
De força... Valentia... Bravura
Para os outros; também pra mim!
Como é possível um ser
Cuidar de todos os seres
Sem descuidar de si ser?
De se incluir nos afazeres
Cotidianos, sem se perder
No caminho, ao longo dos anos?
De tecer passos... Tecer carinho!
De embalar no colo a cria
E se fazer canção e poesia!
Como é ser se multiplicar
Em muitas mulheres? Mães;
Educadoras... Militantes!
Governantes... Gestoras
De conflitos em casa
- Esposas de muitas vidas –
Quando às vezes disfarça;
Quando às vezes emotiva,
Descansa pra receber graça!
Ela é ser absoluto
À prova das provações,
Quando guarda no ventre
Os entes de todas as gerações!
Mãe em mim... Esposa, sim!
Sogra que sempre adota
Netos para todos os fins...
Mães que me serão eternas;
A minha Trindade Materna!

Gilberto Costa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A DOR QUE DÓI

Certo dia um homem estivera aqui...
E de um lugar só dele, refletira...

Eu sinto uma dor que dói...
Uma dor que me faz invisível
Aos meus próprios olhos...
É uma dor de bem perto de mim
Que parece não ter começo nem fim.
Uma dor em toda extensão corpórea
Que tento localizá-la para medir
Seu tamanho! Uma dor sem controle
Que foge do coração quando é
Aprisionada. Que se esconde no cérebro,
Que invade minhas vísceras,
Que queima minha pele e me faz
Baixar a cabeça! Eu sinto uma dor
Que dói. Uma dor que corrói
E parece que não somente destrói,
Mas já quase tem acabado comigo.
Porque não há conforto para a dor que dói!
A dor que dói que nascera perto de mim...

Gilberto Costa

O LBARO ESTRELADO DE ARMANDO

A bola nos ps de Pel!
A bola redonda de Maradona!
A bola que Paula embala!
A bola com cheiro de Hortnsia!
A bola magistral de Nadal!
A bola que Leila espelha!
A bola que rola na grama...
A bola que a torcida chama
Zico... Domingo da Guia!
A bola que passeia na quadra...
A bola de asas de Falco!
A bola de todos os boleiros...
A bola nos campos de vrzea!
A bola de todas as metforas...
A bola com sede de rede!
A bola do Set; a bola do Ace...
A bola parada; a bola rolando...
A bola de todos os nomes
Perde seu amado padrinho!
Na segunda-feira Santa
L fora descansa Armando
Nogueira que a bola encanta!

Gilberto Costa

RAMOS DA REFLEXÃO

Não sei se os pássaros seriam
Para mim o canto. Não sei
Se o canto seria para mim
O encanto. Não sei se o encanto
Seria para mim o manto.
Não sei se o manto seria
Para mim a alma. Não sei
Se a alma seria para mim a calma.
Não sei se a calma traria
Para mim a calma, traria
Para mim a alma, traria
Para mim o manto, traria
Para mim o encanto, traria
Para mim o canto! Não sei
Se os pássaros viriam também
A mim. E não sei se seriam
De novamente vida! Não sei...

Gilberto Costa

quarta-feira, 24 de março de 2010

DUAS IGUAIS

Duas iguais... Seriam tão diferentes?
Na vida da gente, duas iguais!
No que sejam plurais, duas iguais!
Nas vozes nasais, duas iguais!
Nos gestos vitais, duas iguais!
Na construção dos casais,
Duas iguais! Lembrando os ancestrais
Duas iguais! Buscando os astrais,
Duas iguais! De animais e vegetais,
Duas iguais! Sem faltarem os minerais,
Duas iguais! Dos filhos dos pais,
Duas iguais! Nos olhos fatais,
Duas iguais! Em todos os canais,
Duas iguais! Na sinfonia de pardais,
Duas iguais! Duas iguais por duas mais!

Gilberto Costa

domingo, 14 de março de 2010

MANHÃ DE DOMINGO

Eu espio pela janela
E rio com imagens d’uma
Paisagem no cio. Um sol
Sonolento, espreguiça-se
Em lençóis de nuvens aéreas!
Os orvalhos espalhados
Se tecem em fios persas
E se fazem estrelas amarelas!
Ajusto minha miopia
E espio para outro lado
Da cidade e vejo um fio
De fumaça que passa,
Que se junta a outros fios
Que passam, acompanhados
De arrepios e desejos matinais!
Fios que passeiam pelos telhados,
Fios em naves de versos
Que sobrevoam os diversos cantos
Do dia, com seu cheiro de poesia!
Saída do encanto,
A caneta se levanta
E acorda as palavras
Para o desjejum poético.
Pingando pingos nos “IS”,
Canta a mim os bem-te-vis!
É manhã de domingo.

Gilberto Costa